O balanço de um ano histórico

O ano de 2025 deixará algumas marcas.

Este ano o Norte em Quadrinhos testemunhou acontecimentos importantes para os artistas da região Norte. Parte desses acontecimentos teve envolvimento direto da equipe que forma a organização desse movimento.

A primeira edição do Circuito Amazônico de Quadrinhos teve participação da Sâmela Hidalgo. Vimos surgir um ramo importante para o fortalecimento do cenário com o Circuito e que já anunciou uma expansão para a segunda edição.

Em outros eventos pelo país houve intensa participação Nortista, como na Bienal de Quadrinhos de Curitiba. A exceção foi a CCXP, que a cada ano se torna um investimento ainda maior para os nortistas e que nem sempre traz o retorno esperado.

Foi ano de COP na Amazônia e também de movimentação política. O coletivo Iukytáias produziu, em parceria com o Instituto Mapinguari e o Norte em Quadrinhos, a HQ-denúncia “A Voz da Foz”, sobre a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, distribuída gratuitamente em diversos eventos pela região, inclusive durante a COP 30.

O engenheiro ambiental e mestre em ecologia Yago Santos, nosso colunista, fez uma cobertura exclusiva do evento. Além disso, diversos artistas da região participaram de produções e/ou manifestações durante a COP 30.

Este ano também foi um marco para os nortistas em termos de premiações.

No 37º HQMIX foram 14 indicações e 4 troféus para a região nas categorias Novo Talento Roteirista – Tai, Melhor Publicação Independente de Edição Única, Melhor Publicação de Aventura/Terror/Fantasia e Melhor Exposição. Foram mais de 30 edições do HQMIX sem a participação de nortistas, o que torna esta ainda mais simbólica.

“Maramunhã: na Terra do Waraná” e “Onde Habita o Medo” concorrem também ao Prêmio Angelo Agostini.

O Prêmio Mapinguari de Quadrinhos retornou para a sua segunda edição, dessa vez com a produção do Norte em Quadrinhos, que promete continuar a premiação anualmente.

O cenário parece ter nos notado, embora alguns ainda não tenham compreendido nossas pautas.

É clara a mudança. Parte dela é resultado do movimento de ocupação que nós iniciamos, mas também há um retorno consciente do mercado editorial formal e dos diversos grupos que formam o quadrinho brasileiro.

Mas como eu disse, alguns parecem não ter compreendido ainda nossas pautas. Talvez devessem nos escutar mais, assim não reproduziriam preconceitos elementares.

Tenho certeza que não publicariam livros sobre nossa região com a visão colonialista de estrangeiros e sem a participação de artistas nortistas.

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