Projeto Quadrinhos Sateré retoma atividades em junho para finalizar histórias e lançar coletânea inédita

O Projeto Quadrinhos Sateré, primeiro curso de roteiro de quadrinhos exclusivo para crianças e adolescentes indígenas do Brasil, está de volta. As atividades serão retomadas no dia 6 de junho de 2026, às 18h, na comunidade urbana Waikiru, no bairro Redenção, em Manaus. O retorno do projeto foi viabilizado pelo edital PNAB (Política Nacional Aldir Blanc) do Governo Federal e selecionado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas SEC, que garantiu o financiamento para a continuidade das ações.

Na nova fase, os jovens Sateré-Mawé retomaram as aulas para finalizar as histórias iniciadas na primeira etapa do projeto, que ocorreu em 2023 com apoio da Fundação Municipal de Cultura de Manaus MANAUSCULT. O objetivo principal é produzir e publicar uma coletânea reunindo oito narrativas em quadrinhos criadas pelos próprios alunos, com previsão de lançamento para outubro de 2026.

Ao longo de dois meses e meio, os participantes — com idades entre 8 e 18 anos — terão aulas teóricas e práticas de roteiro, sempre orientadas pela equipe do projeto. As histórias serão ilustradas pela quadrinista profissional Malika Dahil, respeitando o traço e a visão de cada jovem autor.

Entre as narrativas previstas na coletânea estão lendas ancestrais, como A Criação da Noite, escrita por Israel Hukat’i (16 anos) a partir de relatos de seu avô, e histórias de empoderamento feminino e conscientização ambiental, como Moiara (Mayara Sateré, 15 anos) e Iamã e Ahiang̃ (Eliakim Cruz, 12 anos), que aborda as queimadas na Amazônia.

Estamos muito felizes em poder retomar esse trabalho. Não é apenas um curso de quadrinhos — é um resgate de memórias, de língua, de pertencimento a a realização do sonho das crianças de verem suas histórias publicadas.” — Evaldo Vasconcelos, idealizador do projeto e professor de roteiro.

O Projeto Quadrinhos Sateré nasceu de uma troca entre a pedagoga Leilane Sateré e o professor de narrativa gráfica Evaldo Vasconcelos: ele aprendeu um pouco sobre a cosmologia do povo Sateré-Mawé e, em contrapartida, ministrou aulas de quadrinhos para a comunidade. A iniciativa enfrenta uma lacuna histórica — por séculos, as histórias indígenas foram contadas exclusivamente por não-indígenas.

Quando a gente consegue trazer um projeto que fomenta a cultura indígena com a cultura não-indígena, acreditamos que estamos fazendo o nosso papel enquanto professor. Essas crianças estão mostrando quem somos, o que acreditamos e o que faz parte da nossa essência.” — Leilane Sateré.

 

Confira mais sobre o projeto no perfil deles aqui.