Arte em defesa do Tapajós
Artistas do Norte produzem artes contra a privatização dos rios da Amazônia
A iniciativa Norte em Quadrinhos organizou uma mobilização artística em defesa do rio Tapajós, da Amazônia e dos povos que vivem em seus territórios. A ação reúne 17 artistas da região Norte que produziram artes-denúncia em apoio à luta iniciada no dia 22 de janeiro, em Santarém (PA), pela revogação do Decreto 12.600/2025, que trata da privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. A mobilização dialoga diretamente com a ocupação realizada na unidade da Cargill, no município, onde povos indígenas, ribeirinhos, ativistas e movimentos sociais reivindicam a revogação da medida.
A proposta do Norte em Quadrinhos é utilizar a arte como instrumento de comunicação, denúncia e fortalecimento das vozes que estão na linha de frente da resistência. As ilustrações produzidas pelos artistas abordam temas como soberania territorial, preservação ambiental, direitos dos povos tradicionais e os impactos sociais e culturais de políticas que afetam diretamente a dinâmica dos rios amazônicos. A ação reforça o entendimento de que cultura também é espaço de posicionamento político e de defesa de direitos.
Arte por Nil (@nilbertojorge), Raissa Santos (@raiimsart), Mario Adolfo (@curumim_am)
Arte por Levi Gama (@levigama.hqs)
O Decreto 12.600/2025 reacendeu o debate sobre o modelo de desenvolvimento aplicado à região amazônica e sobre o papel estratégico de seus rios para as populações locais. Para os movimentos envolvidos na ocupação em Santarém, a privatização representa risco à autonomia das comunidades, ao acesso aos recursos naturais e à manutenção dos modos de vida tradicionais. A mobilização artística surge, portanto, como parte de um movimento mais amplo de resistência e conscientização pública.
Tirinha por Raquel Teixeira (@rateix)
Ao reunir artistas amazônidas em torno da causa, o Norte em Quadrinhos amplia o alcance da discussão e reafirma que a defesa da floresta e dos rios é também uma defesa cultural. A iniciativa destaca que manter a Amazônia de pé e seus rios vivos é preservar não apenas um bioma essencial ao equilíbrio climático, mas também as identidades, histórias e saberes que constituem o tecido social da região.