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“Mairiwara Peúa”: Exposição de Tai debate a Encantaria em Palmas

Mairiwara Peúa: Exposição de Tai debate a Encantaria em Palmas

O campus do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), em Palmas, recebeu a exposição “Mairiwara Peúa”, da artista, ilustradora e roteirista paraense Tai. A mostra integrou a programação da Feira Teui durante a etapa tocantinense do Circuito Amazônico de Quadrinhos, realizada nos dias 24 e 25 de abril de 2026. A ação foi viabilizada por meio do projeto Cultura em Movimento, promovido pelo Sesc Tocantins.

A exposição propõe uma imersão na Encantaria Amazônica, trazendo para o centro do debate a resistência das entidades que habitam os territórios muito antes da presença humana e que existem acima dos conceitos tradicionais de bem e mal.

A narrativa visual de Tai funciona como uma lente crítica sobre o espaço urbano contemporâneo. Diante de um modelo de desenvolvimento predatório e eurocêntrico que desmata e fragmenta a biodiversidade regional, a obra demonstra como os Encantados seguem resistindo e ocupando os asfaltos, canais, igarapés e florestas das cidades amazônicas.

A série Mairiwara Peúa é uma lente que une fotografias de Mairi, nome ancestral reivindicado pelos povos indígenas que resistem na cidade de Belém, e de territórios que compõem a ancestralidade da artista, conectados pelos rios parawaras.

O diferencial técnico e conceitual da exposição esteve na mistura de linguagens. Tai utilizou fotografias de cenários urbanos e naturais de sua ancestralidade e, por meio da ilustração digital, revelou as figuras dos Encantados integradas às paisagens. A proposta estética busca mostrar o processo de apagamento colonial que, ao longo dos séculos, distanciou a percepção humana e espiritual dessas presenças que nunca deixaram de acompanhar o cotidiano da região.

 “Mairiwara Peúa” traz a capacidade de reconectar o público urbano com as raízes cosmológicas da Amazônia através da arte contemporânea. Ao dar forma visual aos seres invisibilizados pela cidade, a exposição convida o visitante a desacelerar a visão predatória para voltar a sentir e reconhecer a ancestralidade que sempre pulsou nos territórios nortistas.

Palmas integra formação e mercado no Circuito Amazônico

Palmas integra formação e mercado no Circuito Amazônico de Quadrinhos

A jornada do Circuito Amazônico de Quadrinhos 2026 segue avançando pelo Norte e a quinta parada foi em solo tocantinense! Nos dias 24 e 25 de abril, o IFTO Palmas se transformou no coração dos quadrinhos com a realização da Feira Teiú de Quadrinhos Brasileiro. Foi um encontro histórico que uniu formação técnica, premiações e uma troca de experiência incrível entre artistas e público.

O auditório do IFTO ficou pequeno para tanta conversa. Tiveram mesas-redondas de peso, começando com uma discussão profunda sobre produção de HQs com Tai, Sâmela Hidalgo e Sidney Gusman. A economia criativa também ganhou destaque com um painel do Sebrae, onde Sâmela se juntou a Ciro Gonçalves e Max Andrade. E não parou por aí: a galera ainda conferiu a exibição do curta de animação Liga do Cerrado, de Geuvar Oliveira, reforçando a potência das adaptações regionais.

Um dos momentos mais inspiradores foi o anúncio dos vencedores do Concurso Cultural de Histórias em Quadrinhos para alunos da rede pública de Palmas. Ver jovens criando histórias sobre “Isenção do Imposto de Renda” e levando para casa smartphones e bolsas de estudo é a prova real de como o quadrinho é uma ferramenta poderosa de cidadania e educação. Para completar a festa, o desfile de cosplay trouxe todo o brilho e a paixão dos fãs para o palco.

No Centro de Artes, as oficinas foram o grande diferencial dessa etapa. O aprendizado foi intenso: desde mentorias de originais com os editores Márcio Jr. e Sidney Gusman, até técnicas de desenho gestual com Álvaro Maia e criação de personagens com Yan Quintela. Teve espaço para o experimentalismo com João Pinheiro, ancestralidade com Tai, aquarela com Leoa do Norte e dicas fundamentais de gestão e comunicação com Sâmela Hidalgo.

O Beco dos Artistas foi um verdadeiro mapa do Brasil, reunindo talentos de Palmas, Amazonas, Pará, Minas Gerais, Brasília, Mato Grosso e Bahia. Além de apresentarem suas obras, os artistas fizeram uma doação especial para a gibiteca do instituto, garantindo que o acesso à nona arte continue para os estudantes. Outro destaque imperdível foi a exposição Mairiwara Peua, da artista paraense Tai, com produção e apoio do Sesc Palmas.

Passar por Palmas reforça nosso propósito de fortalecer o mercado editorial regional e profissionalizar novos talentos por toda a Amazônia. O Circuito continua sua missão, provando que o Norte é um território de narrativas originais com qualidade.

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