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Belém eleva a estrutura da quarta etapa do Circuito Amazônico

Belém se destaca com estrutura e acessibilidade na quarta etapa do Circuito Amazônico de Quadrinhos

Se existia alguma dúvida de que o Norte sabe fazer eventos de quadrinhos com padrão internacional, a quarta etapa do Circuito Amazônico de Quadrinhos em Belém veio para dissipar todas elas. Entre os dias 15 e 18 de abril, a capital paraense não apenas recebeu o evento, mas elevou a barra lá no alto, surpreendendo todo mundo com uma estrutura impecável e um olhar humano que fez toda a diferença. Com atividades divididas entre a sede da Fundação Cultural do Pará (FCP) e o SESC Ver-o-Peso, a cidade respirou quadrinhos em cada canto.

O time de convidados foi especial: nomes como Paulo Moreira, Benne Oliveira, Otoniel Oliveira, Levi Gama, Débora Santos, Felipe Furtado e Helô Rodrigues trouxeram um peso incrível para a programação. O tradicional Beco dos Artistas foi um espetáculo à parte, promovendo um intercâmbio riquíssimo entre talentos locais do Pará e quadrinistas vindos do Amazonas, Amapá, Ceará, Paraíba, São Paulo e Minas Gerais. Quem passou por lá ainda pôde conferir a exposição “DQN – Um Ponto na História”, com curadoria do Coletivo Kitnet, e ver o graffiti ganhar vida nas mãos de Levi Gama.

Para quem queria colocar a mão na massa, o evento foi um prato cheio. As masterclasses e workshops foram de altíssimo nível, cobrindo desde a pintura tradicional com Felipe Furtado até a criação de webquadrinhos com Helô Rodrigues. Teve espaço para falar de afeto e representatividade com Débora Santos, cosmologia com Otoniel Oliveira e, claro, aquele toque de humor e cotidiano com Paulo Moreira. E as discussões não pararam na técnica: os bate-papos foram profundos, refletindo sobre o futuro das narrativas nortistas e a importância de dar voz às periferias no mundo dos balões.

Mas o que realmente fez brilhar os olhos em Belém foi o cuidado nos bastidores. Pela primeira vez, vimos um camarim exclusivo para os artistas do Beco, com comida, bebida e aquele descanso merecido entre uma assinatura e outra. Mais do que isso, a acessibilidade foi a protagonista: graças à parceria com a Amanda Le Libras, tivemos intérpretes, audiodescrição e uma sala de acomodação sensorial pensada para acolher pessoas neurodivergentes e surdas. É esse tipo de iniciativa que mostra que o quadrinho é, de fato, para todo mundo.

Para fechar com chave de ouro, o Circuito ainda levou os artistas para mergulhar na alma paraense. O roteiro cultural foi de tirar o fôlego, passando pela sede do projeto Letras que Flutuam, pelo histórico Teatro da Paz e pelo Museu Emílio Goeldi. Teve ainda a tradição da Cerâmica Família Santana e aquela travessia necessária para a Ilha do Combu, garantindo que ninguém fosse embora sem sentir o verdadeiro sabor do Pará. Shows de Sandrinha Eletrizante e Félix Roberto garantiram que a energia ficasse lá no alto até o último minuto.

O Circuito Amazônico de Quadrinhos segue firme na sua missão de conectar o Norte, fortalecer o mercado regional e mostrar que a Amazônia é um celeiro inesgotável de histórias originais. Belém deixou saudade e um exemplo de como a arte e o respeito ao público podem caminhar de mãos dadas.

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