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Aqui você confere os últimos posts do Norte em Quadrinhos.

Artista amazonense assina vinheta da Copa do Mundo na Globo

Artista Amazonense Laura Athayde assina vinheta especial da Copa do Mundo na TV Globo

Os intervalos comerciais da TV Globo ganharam o traço, as cores e a identidade da região Norte durante a cobertura da Copa do Mundo. A artista, ilustradora e quadrinista amazonense Laura Athayde é a responsável pela criação de uma das novas vinhetas especiais do famoso “plim-plim”, exibidas nacionalmente nos blocos de transição dos jogos da Seleção Brasileira.

A ilustração, desenvolvida originalmente por Athayde, passou por um processo de animação para ganhar as telas. A proposta conceitual da obra é retratar com fidelidade e orgulho o jeito tipicamente nortista de torcer, celebrar e vivenciar o maior evento de futebol do planeta, levando as particularidades culturais da Amazônia para milhões de telespectadores em todo o país.

 

A iniciativa da emissora faz parte de uma série de interações artísticas que convidam criadores de diferentes regiões para imprimir suas visões locais sobre a identidade nacional. 

A participação de Laura Athayde na principal janela de audiência da televisão brasileira coroa um momento de forte consolidação de sua carreira e, simultaneamente, serve como vitrine para a potência das artes visuais e dos quadrinhos produzidos no Amazonas. Reconhecida por suas narrativas sensíveis e traço marcante, a autora agora expande seu alcance ao conectar a estética regional com o grande público da TV aberta.

 

Assim que chegou o convite, eu soube que queria representar uma das minhas memórias mais queridas, que era esse costume de enfeitar a rua para a Copa. Eu fui criada na casa da minha avó, no Centro, e durante a minha infância isso era muito forte. Então, eu comecei a pesquisar sobre essa tradição e acabei conhecendo um pouco mais também sobre as celebrações no interior da Amazônia, em que as famílias e amigos se reúnem de barco para assistir os jogos juntos.“, conta Laura. 

Para o cenário local, esse destaque reforça a efervescência de uma geração de quadrinistas e ilustradores amazonenses que têm quebrado as barreiras do isolamento geográfico, alcançando postos de destaque em grandes mídias, agências e no mercado editorial de prestígio nacional.

A vinheta completa pode ser assistida no perfil do instagram da artista.

Projeto Quadrinhos Sateré retoma atividades e prepara coletânea

Projeto Quadrinhos Sateré retoma atividades em junho para finalizar histórias e lançar coletânea inédita

O Projeto Quadrinhos Sateré, primeiro curso de roteiro de quadrinhos exclusivo para crianças e adolescentes indígenas do Brasil, está de volta. As atividades serão retomadas no dia 6 de junho de 2026, às 18h, na comunidade urbana Waikiru, no bairro Redenção, em Manaus. O retorno do projeto foi viabilizado pelo edital PNAB (Política Nacional Aldir Blanc) do Governo Federal e selecionado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas SEC, que garantiu o financiamento para a continuidade das ações.

Na nova fase, os jovens Sateré-Mawé retomaram as aulas para finalizar as histórias iniciadas na primeira etapa do projeto, que ocorreu em 2023 com apoio da Fundação Municipal de Cultura de Manaus MANAUSCULT. O objetivo principal é produzir e publicar uma coletânea reunindo oito narrativas em quadrinhos criadas pelos próprios alunos, com previsão de lançamento para outubro de 2026.

Ao longo de dois meses e meio, os participantes — com idades entre 8 e 18 anos — terão aulas teóricas e práticas de roteiro, sempre orientadas pela equipe do projeto. As histórias serão ilustradas pela quadrinista profissional Malika Dahil, respeitando o traço e a visão de cada jovem autor.

Entre as narrativas previstas na coletânea estão lendas ancestrais, como A Criação da Noite, escrita por Israel Hukat’i (16 anos) a partir de relatos de seu avô, e histórias de empoderamento feminino e conscientização ambiental, como Moiara (Mayara Sateré, 15 anos) e Iamã e Ahiang̃ (Eliakim Cruz, 12 anos), que aborda as queimadas na Amazônia.

Estamos muito felizes em poder retomar esse trabalho. Não é apenas um curso de quadrinhos — é um resgate de memórias, de língua, de pertencimento a a realização do sonho das crianças de verem suas histórias publicadas.” — Evaldo Vasconcelos, idealizador do projeto e professor de roteiro.

O Projeto Quadrinhos Sateré nasceu de uma troca entre a pedagoga Leilane Sateré e o professor de narrativa gráfica Evaldo Vasconcelos: ele aprendeu um pouco sobre a cosmologia do povo Sateré-Mawé e, em contrapartida, ministrou aulas de quadrinhos para a comunidade. A iniciativa enfrenta uma lacuna histórica — por séculos, as histórias indígenas foram contadas exclusivamente por não-indígenas.

Quando a gente consegue trazer um projeto que fomenta a cultura indígena com a cultura não-indígena, acreditamos que estamos fazendo o nosso papel enquanto professor. Essas crianças estão mostrando quem somos, o que acreditamos e o que faz parte da nossa essência.” — Leilane Sateré.

 

Confira mais sobre o projeto no perfil deles aqui.

Circuito Amazônico de Quadrinhos vence o 42º Troféu Angelo Agostini

Circuito Amazônico de Quadrinhos vence o prestigiado prêmio nacional Jayme Cortez no 42º Troféu Angelo Agostini

Pela primeira vez na história da premiação, uma iniciativa da Região Norte que integra cinco estados da Amazônia recebe a maior honraria de fomento à cultura de HQs no Brasil. A primeira edição do Circuito Amazônico de Quadrinhos foi anunciado como o grande vencedor do Prêmio Jayme Cortez na 42ª edição do Troféu Angelo Agostini, uma das premiações mais tradicionais e longevas do universo das histórias em quadrinhos no Brasil. 

O anúncio oficial foi realizado hoje por meio de uma transmissão ao vivo que reuniu a comunidade do quadrinho nacional. A conquista consagra o Circuito Amazônico de Quadrinhos como uma iniciativa de relevância nacional na descentralização e no fortalecimento da cultura pop e editorial no país.

O Circuito Amazônico de Quadrinhos teve sua primeira edição em 2025 e é um evento itinerante colaborativo gratuito que conecta e fortalece a produção de histórias em quadrinhos do Norte do Brasil. O projeto integra grandes programações, oficinas e feiras de artistas em cinco estados da região. Em 2025, marcou presença em Manaus (AM), Belém (PA), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Palmas (TO). Já em 2026, a cidade de Parintins (AM) se juntou ao Circuito.

O que é o Prêmio Jayme Cortez

Diferente das categorias voltadas a lançamentos editoriais e específicos, a categoria Prêmio Jayme Cortez possui um caráter institucional e honorífico de altíssimo prestígio. Ele é destinado exclusivamente a reconhecer pessoas, obras ou instituições que tenham oferecido destaque, apoio e fomento a contribuições fundamentais para a produção, difusão e valorização do quadrinho nacional ao longo do ano.

O reconhecimento do Troféu Ângelo Agostini chancela o Circuito Amazônico de Quadrinhos não apenas como um evento regional, mas como um polo indispensável de resistência, formação de novos leitores e vitrine para os artistas do Norte do país. A premiação destaca o impacto social e cultural do Circuito, que atua diretamente na quebra de barreiras geográficas e econômicas que historicamente isolam a produção visual e literária da Amazônia dos grandes eixos editoriais do Sudeste.

A importância da colaboração regional 

A conquista reflete o esforço conjunto de uma rede de criados que decidiram transformar a realidade local. Andrei Miralha, organizador da Semana do Quadrinho Nacional do Pará e um dos idealizadores do Circuito, destaca o ineditismo da premiação: “Recebemos esse prêmio com muito orgulho e alegria, pois pela primeira vez um evento nortista recebe uma premiação como essa. O Circuito tem uma característica inédita no país por abranger cinco estados do Norte. É um evento organizado por quadrinistas para quadrinistas, com o objetivo de valorizar a produção autoral e dar visibilidade à Amazônia. Nossa intenção era colocar o Norte na rota nacional. Acho que conseguimos!”

Esse sentimento de conexão com a identidade local é compartilhado por Evaldo Vasconcelos, organizador da Semana do Quadrinho Nacional de Manaus e também idealizador do Circuito: “Esse reconhecimento é fruto do talento gigantesco dos artistas do Norte e do apoio fundamental de toda a cena de quadrinhos. Estamos mostrando para o país a Amazônia contada pelos próprios nortistas!”, celebra. 

“Mairiwara Peúa”: Exposição de Tai debate a Encantaria em Palmas

Mairiwara Peúa: Exposição de Tai debate a Encantaria em Palmas

O campus do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), em Palmas, recebeu a exposição “Mairiwara Peúa”, da artista, ilustradora e roteirista paraense Tai. A mostra integrou a programação da Feira Teui durante a etapa tocantinense do Circuito Amazônico de Quadrinhos, realizada nos dias 24 e 25 de abril de 2026. A ação foi viabilizada por meio do projeto Cultura em Movimento, promovido pelo Sesc Tocantins.

A exposição propõe uma imersão na Encantaria Amazônica, trazendo para o centro do debate a resistência das entidades que habitam os territórios muito antes da presença humana e que existem acima dos conceitos tradicionais de bem e mal.

A narrativa visual de Tai funciona como uma lente crítica sobre o espaço urbano contemporâneo. Diante de um modelo de desenvolvimento predatório e eurocêntrico que desmata e fragmenta a biodiversidade regional, a obra demonstra como os Encantados seguem resistindo e ocupando os asfaltos, canais, igarapés e florestas das cidades amazônicas.

A série Mairiwara Peúa é uma lente que une fotografias de Mairi, nome ancestral reivindicado pelos povos indígenas que resistem na cidade de Belém, e de territórios que compõem a ancestralidade da artista, conectados pelos rios parawaras.

O diferencial técnico e conceitual da exposição esteve na mistura de linguagens. Tai utilizou fotografias de cenários urbanos e naturais de sua ancestralidade e, por meio da ilustração digital, revelou as figuras dos Encantados integradas às paisagens. A proposta estética busca mostrar o processo de apagamento colonial que, ao longo dos séculos, distanciou a percepção humana e espiritual dessas presenças que nunca deixaram de acompanhar o cotidiano da região.

 “Mairiwara Peúa” traz a capacidade de reconectar o público urbano com as raízes cosmológicas da Amazônia através da arte contemporânea. Ao dar forma visual aos seres invisibilizados pela cidade, a exposição convida o visitante a desacelerar a visão predatória para voltar a sentir e reconhecer a ancestralidade que sempre pulsou nos territórios nortistas.

3º Prêmio Mapinguari de Quadrinhos anuncia vencedores

3º Prêmio Mapinguari de Quadrinhos
anuncia vencedores

Em uma noite dedicada à celebração da identidade regional e da narrativa gráfica, foram revelados no último sábado (09/05) os vencedores da 3ª edição do Prêmio Mapinguari de Quadrinhos. A cerimônia, transmitida ao vivo pelo canal do YouTube do Norte em Quadrinhos, atingiu marcas históricas: foram mais de 120 inscrições, englobando 40 produções e a participação de cerca de 100 artistas vindos de todos os estados da Região Norte. 

A premiação deste ano contou com a identidade visual assinada pelo artista, designer e quadrinista amazonense Dylan Ranna. O mesacast de anúncio foi conduzida por Sâmela Hidalgo, idealizadora do Norte em Quadrinhos, e Luiz Andrade, produtor do prêmio, que celebraram a diversidade e a qualidade técnica das obras submetidas.

A grande vencedora da noite foi a obra “A Batalha de Itacoatiara” (Black Eye Estúdios), que conquistou o prêmio de Melhor Quadrinho, além das categorias de Melhor Desenhista (Romahs Mascarenhas) e Melhor Roteirista (Emerson Medina).

A difícil missão de selecionar os vencedores entre tantas produções de alto nível ficou a cargo de um júri de especialistas: a pesquisadora paraense Fabiana Gillet, a editora pernambucana Dandara Palankof, o editor cearense Chico Oliveira, o editor paulista Guilherme Kroll e o macapaense Gian Danton, reconhecido como Mestre do Quadrinho Nacional.

Lista Oficial de Vencedores – 3º Prêmio Mapinguari:

  • Melhor Quadrinho: A Batalha de Itacoatiara (Black Eye Estúdios), por Romahs Mascarenhas, Emerson Medina e Tiêe Santos.
  • Melhor Roteirista: Emerson Medina (A Batalha de Itacoatiara).
  • Melhor Desenhista: Romahs Mascarenhas (A Batalha de Itacoatiara).
  • Melhor Arte-finalista: Leonardo Dressant (A Batalha nas Sombras).
  • Melhor Colorista: Raquel Teixeira (Heranças).
  • Melhor Webtira ou Webquadrinho: Meio Período, de Icehito.
  • Melhor Subproduto ou Adaptação de HQ: Biblioteca de Zines.
“Alcançar todos os estados da Região Norte e mobilizar uma centena de artistas mostra que o Prêmio Mapinguari cumpre seu papel de descentralizar a produção nacional e dar voz aos criadores da Amazônia”, afirma Sâmela Hidalgo, uma das organizadoras do prêmio.
 
Criado em 2022 e organizado pelo portal Mapingua Nerd, o prêmio busca valorizar e dar visibilidade à produção de HQs no Norte do país, premiando o esforço de artistas independentes e editoras que narram as pluralidades da região. 

Macapá sedia o encerramento do Circuito Amazônico 2026

Macapá sedia o encerramento do Circuito Amazônico 2026

A Semana do Quadrinho Nacional Amapá foi o cenário perfeito para o encerramento da edição de 2026 do Circuito Amazônico de Quadrinhos, provando que a produção sustenta quase 2 meses de eventos contínuos e itinerante. Entre os dias 02 e 03 de maio, o Amapá Garden Shopping virou o ponto de encontro oficial de quadrinistas e leitores.

Nos dias 28, 29 e 30 de abril, o auditório do Sebrae recebeu oficinas focadas no lado profissional: palestra sobre formalização no segmento de quadrinhos e uma capacitação prática de modelo de negócio Canvas. E para quem queria apostar em mercados diferentes, a Biblioteca Pública Elcy Lacerda foi palco de uma Masterclass especial com Erick Blake, que falou sobre o caminho para o mercado internacional.

No bate-papos organizados pelo evento, a mesa “Vozes Premiadas” reuniu Sâmela Hidalgo, Helô D’Angelo, Gian Danton e Saruzilla. Para fechar, a discussão sobre representatividade negra trouxe nomes de peso como Hugo Canuto, Erick Blake, Roberto Vanderlay e Negra Áurea. O evento seguiu com as oficinas de Construção de Layout com Vanessa Wisk, Criação de Pokemon com Kaic Matheus, Criação de personagem com Will Cruz e de Quadrinhos em Zine com Camila Oliveira, no mezanino da Livraria Leitura. Além do “Desenhaço”, concursos de desenho e o tão aguardado desfile de cosplay.

O Beco dos Artistas contou com quadrinistas de vários estados. Um dos momentos mais marcantes foi a entrega do Troféu do Circuito Amazônico de Quadrinhos para os artistas Max Andrade e Mogue (da dupla 1Quintal). A homenagem foi um reconhecimento aos artistas que completaram o circuito integralmente, participando de todos os seis eventos deste ano.

Além da programação do evento, o Circuito proporcionou uma imersão na identidade amapaense. Os artistas visitantes tiveram a oportunidade de vivenciar a programação cultural da cidade, conhecendo o Marabaixo, manifestação tradicional e símbolo de resistência. O roteiro incluiu também visitas ao Curiaú, ao museus Sacaca, ao Bioparque e à Praça do Meio do Mundo. 

O encerramento em Macapá mostrou que a rede de visibilidade e produção da região está se fortalecendo cada vez mais. A edição de 2026 chega ao fim, mas as histórias que plantamos por todo o Norte estão apenas começando.

Palmas integra formação e mercado no Circuito Amazônico

Palmas integra formação e mercado no Circuito Amazônico de Quadrinhos

A jornada do Circuito Amazônico de Quadrinhos 2026 segue avançando pelo Norte e a quinta parada foi em solo tocantinense! Nos dias 24 e 25 de abril, o IFTO Palmas se transformou no coração dos quadrinhos com a realização da Feira Teiú de Quadrinhos Brasileiro. Foi um encontro histórico que uniu formação técnica, premiações e uma troca de experiência incrível entre artistas e público.

O auditório do IFTO ficou pequeno para tanta conversa. Tiveram mesas-redondas de peso, começando com uma discussão profunda sobre produção de HQs com Tai, Sâmela Hidalgo e Sidney Gusman. A economia criativa também ganhou destaque com um painel do Sebrae, onde Sâmela se juntou a Ciro Gonçalves e Max Andrade. E não parou por aí: a galera ainda conferiu a exibição do curta de animação Liga do Cerrado, de Geuvar Oliveira, reforçando a potência das adaptações regionais.

Um dos momentos mais inspiradores foi o anúncio dos vencedores do Concurso Cultural de Histórias em Quadrinhos para alunos da rede pública de Palmas. Ver jovens criando histórias sobre “Isenção do Imposto de Renda” e levando para casa smartphones e bolsas de estudo é a prova real de como o quadrinho é uma ferramenta poderosa de cidadania e educação. Para completar a festa, o desfile de cosplay trouxe todo o brilho e a paixão dos fãs para o palco.

No Centro de Artes, as oficinas foram o grande diferencial dessa etapa. O aprendizado foi intenso: desde mentorias de originais com os editores Márcio Jr. e Sidney Gusman, até técnicas de desenho gestual com Álvaro Maia e criação de personagens com Yan Quintela. Teve espaço para o experimentalismo com João Pinheiro, ancestralidade com Tai, aquarela com Leoa do Norte e dicas fundamentais de gestão e comunicação com Sâmela Hidalgo.

O Beco dos Artistas foi um verdadeiro mapa do Brasil, reunindo talentos de Palmas, Amazonas, Pará, Minas Gerais, Brasília, Mato Grosso e Bahia. Além de apresentarem suas obras, os artistas fizeram uma doação especial para a gibiteca do instituto, garantindo que o acesso à nona arte continue para os estudantes. Outro destaque imperdível foi a exposição Mairiwara Peua, da artista paraense Tai, com produção e apoio do Sesc Palmas.

Passar por Palmas reforça nosso propósito de fortalecer o mercado editorial regional e profissionalizar novos talentos por toda a Amazônia. O Circuito continua sua missão, provando que o Norte é um território de narrativas originais com qualidade.

Belém eleva a estrutura da quarta etapa do Circuito Amazônico

Belém se destaca com estrutura e acessibilidade na quarta etapa do Circuito Amazônico de Quadrinhos

Se existia alguma dúvida de que o Norte sabe fazer eventos de quadrinhos com padrão internacional, a quarta etapa do Circuito Amazônico de Quadrinhos em Belém veio para dissipar todas elas. Entre os dias 15 e 18 de abril, a capital paraense não apenas recebeu o evento, mas elevou a barra lá no alto, surpreendendo todo mundo com uma estrutura impecável e um olhar humano que fez toda a diferença. Com atividades divididas entre a sede da Fundação Cultural do Pará (FCP) e o SESC Ver-o-Peso, a cidade respirou quadrinhos em cada canto.

O time de convidados foi especial: nomes como Paulo Moreira, Benne Oliveira, Otoniel Oliveira, Levi Gama, Débora Santos, Felipe Furtado e Helô Rodrigues trouxeram um peso incrível para a programação. O tradicional Beco dos Artistas foi um espetáculo à parte, promovendo um intercâmbio riquíssimo entre talentos locais do Pará e quadrinistas vindos do Amazonas, Amapá, Ceará, Paraíba, São Paulo e Minas Gerais. Quem passou por lá ainda pôde conferir a exposição “DQN – Um Ponto na História”, com curadoria do Coletivo Kitnet, e ver o graffiti ganhar vida nas mãos de Levi Gama.

Para quem queria colocar a mão na massa, o evento foi um prato cheio. As masterclasses e workshops foram de altíssimo nível, cobrindo desde a pintura tradicional com Felipe Furtado até a criação de webquadrinhos com Helô Rodrigues. Teve espaço para falar de afeto e representatividade com Débora Santos, cosmologia com Otoniel Oliveira e, claro, aquele toque de humor e cotidiano com Paulo Moreira. E as discussões não pararam na técnica: os bate-papos foram profundos, refletindo sobre o futuro das narrativas nortistas e a importância de dar voz às periferias no mundo dos balões.

Mas o que realmente fez brilhar os olhos em Belém foi o cuidado nos bastidores. Pela primeira vez, vimos um camarim exclusivo para os artistas do Beco, com comida, bebida e aquele descanso merecido entre uma assinatura e outra. Mais do que isso, a acessibilidade foi a protagonista: graças à parceria com a Amanda Le Libras, tivemos intérpretes, audiodescrição e uma sala de acomodação sensorial pensada para acolher pessoas neurodivergentes e surdas. É esse tipo de iniciativa que mostra que o quadrinho é, de fato, para todo mundo.

Para fechar com chave de ouro, o Circuito ainda levou os artistas para mergulhar na alma paraense. O roteiro cultural foi de tirar o fôlego, passando pela sede do projeto Letras que Flutuam, pelo histórico Teatro da Paz e pelo Museu Emílio Goeldi. Teve ainda a tradição da Cerâmica Família Santana e aquela travessia necessária para a Ilha do Combu, garantindo que ninguém fosse embora sem sentir o verdadeiro sabor do Pará. Shows de Sandrinha Eletrizante e Félix Roberto garantiram que a energia ficasse lá no alto até o último minuto.

O Circuito Amazônico de Quadrinhos segue firme na sua missão de conectar o Norte, fortalecer o mercado regional e mostrar que a Amazônia é um celeiro inesgotável de histórias originais. Belém deixou saudade e um exemplo de como a arte e o respeito ao público podem caminhar de mãos dadas.

Parintins é a 1ª cidade do interior no Circuito Amazônico

Parintins marca a história como a primeira cidade do interior a receber o Circuito Amazônico de Quadrinhos 2026

O Circuito Amazônico de Quadrinhos alcançou um novo patamar ao desembarcar na Ilha da Magia! Nos dias 10 e 11 de abril, Parintins não foi apenas uma sede, mas o símbolo da expansão do projeto para o interior da Amazônia. Realizada na Casa da Cultura, essa terceira etapa provou que a cidade respira arte em cada esquina, transformando o espaço em um verdadeiro polo de educação e quadrinhos com o apoio fundamental de escolas e universidades locais.

O coração do evento foi o Beco dos Artistas, que promoveu um intercâmbio histórico. Imagine só: 20 quadrinistas dividindo histórias, unindo talentos da terra com autores vindos do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia. Essa mistura reforçou o papel do Circuito como uma ponte nacional, conectando o Amazonas ao restante do Brasil através da nona arte.

A programação foi um show à parte e abraçou todas as gerações. A criançada se encantou com a contação de histórias de Totó em Aventura Selvagem, enquanto os adultos mergulharam em debates necessários. A editora Sâmela Hidalgo se juntou à artista Beatriz Mascarenhas para falar sobre o mercado de trabalho e o protagonismo feminino na cultura. Outro ponto alto foi a mesa “Encantados Não é Folclore”, onde os artistas indígenas Levi Gama e Raquel Teixeira, ao lado de pesquisadores e professores como Diego Omar, Carlos Carvalho e Clarissa Suzuki, que trouxeram as cosmovisões indígenas para o centro do debate, destacando o valor da autoria amazônica. A cultura pop e a arte urbana também estiveram em pauta em um bate-papo dinâmico com Romahs Mascarenhas, Hashi, Day, Juan, Diogo Trindade e Geovan Motter.

Para quem queria aprender, rolou uma verdadeira maratona! Das oficinas de roteiro e tirinhas até processos técnicos como colorização e diagramação, teve de tudo. O legal foi ver a tecnologia do desenho digital andando de mãos dadas com a delicadeza da aquarela, dando ferramentas para que os novos talentos de Parintins pudessem soltar a criatividade.

Honrando a tradição parintinense, a diversidade artística local transbordou para o palco com apresentações do Boi Mineirinho, hip-hop, batalhas de rima e danças típicas, mostrando que o quadrinho dialoga diretamente com as manifestações populares da cidade. Para selar a experiência, os autores locais e convidados participaram de roteiros turísticos em parceria com os Guias do MHSI, visitando marcos como o Bumbódromo, os currais dos bois Caprichoso e Garantido e a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, mergulhando na rica herança cultural que faz de Parintins um cenário único no mundo.

O Circuito Amazônico de Quadrinhos é uma iniciativa que visa descentralizar a produção de HQs no Brasil, conectando os estados da região Norte através de uma rede de formação, intercâmbio e visibilidade. Ao circular por diferentes cidades, o projeto fortalece o mercado editorial regional, profissionaliza novos artistas e reafirma a Amazônia como um território potente de narrativas originais e criatividade transformadora.

Boa Vista consolida a segunda etapa do Circuito Amazônico

Boa Vista consolida a segunda etapa do Circuito Amazônico de Quadrinhos 2026

Depois de uma abertura memorável no Amazonas, o Circuito Amazônico de Quadrinhos pegou a estrada e desembarcou em solo roraimense! Nos dias 04 e 05 de abril, o Roraima Garden Shopping se transformou no epicentro da Nona Arte, provando que Boa Vista tem uma cena sedenta por quadrinhos e reforça a ideia da iniciativa em fortalecer a cena das histórias em quadrinhos e em todo o território amazônico.

O grande destaque dessa parada foi, sem dúvida, o intercâmbio cultural. Pela primeira vez na história, Boa Vista recebeu um time de artistas de fora da região para um evento desse porte! Com a participação de 31 artistas, o espaço não apenas deu visibilidade aos talentos locais, mas também a oportunidade de ter artistas vindos de estados como Paraíba, Distrito Federal, Minas Gerais e Bahia, aproximando artistas e público de obras para todas as idades.

A programação foi pensada para quem ama o processo criativo. Tivemos bate-papos exclusivos com Josias M. Casadecaba e Noah Lima, que abriram o jogo sobre as vivências no mercado editorial e os desafios da produção independente. E para deixar a conversa ainda mais rica, o multiartista Aldenor Pimentel trouxe sua experiência, mostrando como a literatura e as linguagens visuais caminham juntas na construção de boas histórias.

Mais do que um evento de compras, a etapa de Boa Vista reafirmou o compromisso do Circuito em ser uma rede de conexão e visibilidade. Ver artistas de diferentes cantos do Brasil trocando experiências em Roraima mostra que o evento está no caminho certo para profissionalizar nossa cena e mostrar a força da Amazônia para o mundo.

O Circuito Amazônico de Quadrinhos não para por aqui! A missão de descentralizar a produção de HQs continua, fortalecendo o mercado regional e celebrando o Norte como um território potente e criativo que sempre foi.

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